Como as empresas estão substituindo workshops internos por academias sob demanda

Como as empresas estão substituindo workshops internos por academias sob demanda!

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by Liubomyr Sirskyi
Copywriter at Kwiga

A cada trimestre, alguém reserva uma sala de conferências, encomenda comida e cria um lembrete no calendário com o título "Workshop de Competências de Liderança - OBRIGATÓRIO." Pelo menos 50% dos convidados chegam atrasados. Um pequeno número dos participantes passa o tempo no telemóvel durante o workshop. Na sexta-feira seguinte, a maior parte do que foi ensinado já saiu das suas mentes. O formato foi responsável por isso, não os indivíduos que participaram na formação.

A formação dentro de uma organização foi concebida durante décadas com uma crença subjacente: que a melhor forma de aprender é reunir um grande grupo de pessoas numa sala durante um período de tempo pré-determinado para aprenderem juntas. Isto era verdade quando as empresas eram mais previsíveis; era verdade quando os membros da equipa trabalhavam no mesmo edifício, sob prazos semelhantes, e progrediam nas suas carreiras a ritmos aproximadamente iguais.

O trabalho remoto e híbrido quebrou o calendário partilhado. As competências envelhecem mais rapidamente, por isso um workshop de um dia sobre literacia de dados em janeiro pode parecer desatualizado em junho. E a maioria das forças de trabalho das empresas está mais fragmentada do que há dez anos: funcionários a tempo inteiro, contratados e colaboradores sénior que precisam de profundidade em áreas específicas.

As academias sob demanda abordam isto diretamente. Em vez de um único evento agendado, as empresas constroem uma biblioteca de módulos de aprendizagem curtos e estruturados aos quais os colaboradores acedem quando precisam, ao seu próprio ritmo. As empresas que estão a construir academias sob demanda não o fazem principalmente para reduzir custos — fazem-no porque o calendário de workshops deixou de produzir resultados.

O Que Quebrou o Modelo de Workshop

Os problemas com workshops internos não são novos. As equipas de L&D já os conhecem há anos. A diferença agora é que o custo de os ignorar se tornou mais difícil de justificar.

  • O agendamento prejudica a participação antes mesmo de a formação começar. Quando se tenta reunir toda a gente num só local, é necessário coordenar datas entre equipas, fusos horários e entregas de projetos. Quando a reunião acontece, nem todos estão presentes física e mentalmente: têm outras tarefas, lidam com emails urgentes e questionam porque adiaram o trabalho para estar ali. Estudos da SHRM indicam que a retenção média de conhecimento após uma semana é de cerca de 10% sem reforço.

  • O conteúdo não é feito para ninguém em particular. Uma única sessão precisa servir iniciantes, gestores intermédios e especialistas ao mesmo tempo. O resultado: conteúdo demasiado básico para uns e demasiado rápido para outros.

  • Uma sessão não constrói uma competência. Ver uma técnica não significa aplicá-la. A aprendizagem exige repetição, prática e correção ao longo do tempo.

  • O custo por participante é elevado para o que é retido. Custos com formadores, deslocações e tempo fora do trabalho acumulam-se rapidamente.

Isto não significa que os workshops sejam inúteis. O problema é usá-los como principal forma de desenvolvimento.

Como São as Academias Sob Demanda

Uma academia sob demanda é uma coleção estruturada de conteúdos organizados por funções, competências e fases de carreira, acessível a qualquer momento e ao próprio ritmo.

Módulos curtos

Conteúdos de 5 a 15 minutos aumentam a taxa de conclusão.

Trilhas por função

Diferentes funções têm diferentes percursos de aprendizagem.

Avaliações integradas

Pequenos testes reforçam a retenção.

Conteúdo variado

Uso de texto, vídeo e cenários interativos.

Dicas para empresas

  • Nomeie um responsável pela academia.

  • Ligue aprendizagem ao trabalho real.

  • Mostre o progresso dos colaboradores.

A estrutura é mais importante que a tecnologia.

Onde Funciona Melhor

Funciona bem para:

  • Formação de conformidade

  • Aprendizagem técnica

  • Integração de novos colaboradores

  • Referência contínua. As pessoas esquecem. Uma academia que podem pesquisar e revisitar é mais útil do que anotações de um workshop que frequentaram há oito meses.

Os workshops ainda são mais adequados para:

  • Desenvolvimento de liderança. Aprender a gerir conflitos, dar feedback difícil ou lidar com a política organizacional exige prática ao vivo e respostas em tempo real. Um cenário interativo pode aproximar isso, mas um facilitador experiente a trabalhar com um grupo de gestores consegue lidar com nuances que conteúdos gravados não conseguem reproduzir.

  • Dinâmica de equipa e cultura. Sessões pensadas para construir confiança, expor divergências ou alinhar uma equipa precisam de pessoas juntas no mesmo espaço. A experiência partilhada faz parte do resultado.

  • Qualquer coisa que exija coaching. Competências que se desenvolvem com repetição e feedback personalizado — falar em público, presença executiva, negociação complexa — precisam de um humano no processo. O conteúdo sob demanda pode introduzir conceitos, mas o desenvolvimento real acontece com um coach ou facilitador.

O modelo prático adotado pela maioria das empresas é uma divisão: academias sob demanda tratam da amplitude, cobrindo competências que precisam chegar a muitas pessoas de forma consistente. Workshops, realizados com menos frequência e com objetivos mais claros, tratam da profundidade — competências que exigem interação ao vivo para se desenvolverem corretamente.

Como Construir Uma Sem Começar do Zero

A maioria das equipas de L&D que lançam academias sob demanda com sucesso não começa do zero. Reorganizam o que já existe, preenchem lacunas e adicionam estrutura. Começar com uma plataforma vazia e criar conteúdo totalmente novo é lento, caro e desnecessário.

Comece com uma auditoria

Antes de escolher qualquer plataforma, liste o que a sua organização já possui: gravações de formações, documentos de onboarding, guias de processos, wikis internas e apresentações antigas. A maioria das empresas tem mais material reutilizável do que imagina. A auditoria mostra o que converter, atualizar ou descartar.

Um modelo simples de auditoria:

  • Manter e converter: Conteúdo atualizado, específico da empresa e que se beneficiaria de acesso contínuo

  • Licenciar e complementar: Conteúdo geral (comunicação, Excel, gestão de projetos) já produzido por fornecedores

  • Eliminar: Conteúdo desatualizado, redundante ou demasiado longo

Defina a estrutura antes da plataforma

Esboce os percursos por função antes de escolher ferramentas. Use papel primeiro. Isso evita que funcionalidades da plataforma ditem o design do conteúdo. Um percurso de vendas será diferente de um de engenharia, então defina competências e sequência de aprendizagem com clareza.

Para a maioria das empresas, a escolha da plataforma depende de três fatores: integração com sistemas de RH, suporte a conteúdo interno e externo, e facilidade de manutenção.

Construa em fases

Um erro comum é lançar tudo de uma vez. Em vez disso, comece com um único percurso, teste com um grupo real e depois expanda.

Estrutura recomendada:

  • Fase 1: Criar um percurso para uma função e testar com colaboradores reais

  • Fase 2: Expandir para funções semelhantes

  • Fase 3: Expandir para toda a empresa com manutenção contínua

Defina um responsável

Sem alguém responsável, a academia torna-se abandonada rapidamente. Essa pessoa deve revisar conteúdos regularmente, identificar materiais desatualizados e coordenar atualizações com as equipas.

Ligue a aprendizagem a momentos importantes

As pessoas só aprendem quando há motivo. Promoções, novos cargos, projetos ou avaliações devem acionar percursos de aprendizagem relevantes.

Conclusão

Empresas eficazes usam a conclusão de cursos como início, não fim. Avaliam aplicação prática e impacto no desempenho ao longo do tempo.

Uma academia resolve o problema de agendamento. A mudança de comportamento continua a depender de si.